quarta-feira, 24 de março de 2010

Tolerância (in-in-in)

Eu juro pela minha mãe mortinha que tenho tentado ser mais tolerante nesse mundão de meu Deus.
E olha, se eu jurei pela minha mãe mortinha pode acreditar que é sério.
Mas aí o estagiário chega atrasado em plena quarta-feira. Puta que me pariu! E eu avisei umas trocentas vezes que hoje meu chefe estaria no escritório. Vamos lá Samantha, concentra, exercita a tolerância.
Tudo bem se ele entra meio dia (MEIO DIA!!!!), 40 minutos é bobagem.
Tolerância. Tolerância. Tolerância.
Pronto. Passou.
Mas aí a mulher do distribuidor do fórum trabalhista que jura que é minha amiga de infância pergunta da Jad. E eu nem sei como ela sabe da Jad. Eu falei, ou não falei. Talvez ela seja bruxa. Tem cara e cabelo de. Pois é. Me pergunta. E eu queria que ninguém nunca mais no mundo todo me perguntasse dela. Queria ficar quietinha. Só eu e toda a minha dor de quem perdeu uma cachorra que sorria e que dormia e que virara de barriga pra cima só pra mim. Mas ela perguntou. Preciso dizer alguma coisa. Então falo que ela tá bem. Não importa que ela tenha morrido. Não quero falar nisso e ponto. Ela insiste. Quer sabe bem como. Então além de ressucitar a cachorra eu encerro a conversa dizendo que a Jad já tá tão boa que voltou a andar na rua. É tudo mentira, eu sei. Mas eu não quero falar nisso. Não quero que ninguém nunca mais no mundo me pergunte da minha cachorra. Quero ficar só eu e a minha dor. Só eu, ela e o sorriso sem dente que ela tinha.
Tolerância. Tolerância. Tolerância.
Mas aí eu fico 1:40h na fila do banco e o cidadão (vulgo bancário) ainda me oferece um investimento quando eu ia sacar o alvará. Se não fosse hoje, um dia que eu resolvi ser metodicamente tolerante, eu teria feito um puta discurso apaixonado sobre venda casada, código de defesa do consumidor e capitalismo. Calma, vai que dá.
Só respiração não dá dando certo. Viver num mundo que ninguém respeita ninguém é froid.
Lembro do Gustavo. Penso que eu preciso ser um ser humano melhor. Lembro de mamãe. Que falava sempre e pra todo mundo que meu apelido era crica. Já sabe por que né? É sempre assim que ela diz.
Final do dia. Vamos lá. Hoje tolerei o universo insuportável de gente. E eu não gosto de gente. Mas eu disfarço muito bem. Eu quase não gosto de ninguém que as poucas pessoas que eu gosto dá pra dizer assim, num minuto só.
Eu sou mesmo ranzinza. Mas tô tentanto acreditar que a tolerância é prática. Uma hora eu acostumo. Deve ser assim.
Hoje eu sorri, fui educada, simpática e nem fiz cara de quem tava comendo jiló. Eu nunca comi jiló na verdade. Mas posso imaginar como é.
Hoje eu nem reclamei das gordas que atrapalham a aula de boxe ou das pivetas que vão lá pra azarar alunos da medicina. Hoje não. Hoje eu fiquei quieitinha. Batendo muito calma e tolerante mente no meu saco.
Hoje eu não fui tão intolerante. Eu acho.

quarta-feira, 17 de março de 2010

As vezes eu fico tão cansada, tão cansada, tão cansada, que até esqueço do resto todo.
Esqueço que tenho que colocar os remédios de mamãe no correio, por que senão a dor na perna piora. E tenho que colocar também os laudos, a carteira de trabalho e tenho que ligar no 135 e agendar a perícia lá, em Piracicaba. É , não posso esquecer de avisar a moça do 135 que é perícia em trânsito. Preciso lembrar e lembrar e lembrar. É, não posso esquecer. Não posso. Preciso perguntar pra mamãe se o psiquiatra escreveu as coisas que eu deixei anotadas, no laudo, pro médico que a moça do 135 vai marcar.
Mas é que eu ando cansada. Não ando. Só cansada. E então não posso esquecer que a cachorra quase cadeirante amor da minha vida toda toma seis remédios. Tem dois de oito em oito. Não posso esquecer de colocar o relógio pra despertar as duas. Não posso, não posso e não posso. Esquecer de nada. Lembrar de tudo. E sempre e sempre e sempre. Sexta tem consulta. E choro. Eu choro e choro e choro. Dói. A veterinária fala coisas que eu finjo que não entendo. E atendo o celular, e falo com todo meu advogadês lindo. Mas é fuga. Só fuga. Eu fujo por que não quero saber daquilo tudo que ela fala. Mas eu sei. E ai dói. E então eu volto pro celular, pra algum cliente, pra algum agravo, pra qualquer recurso. É, não posso esquecer. Sexta tem consulta. As oito. No morro. Mas eu nem tenho mais medo de subir de moto no morro. Já sei subir. Eu e o amor da minha vida toda. Minha cadela que não anda.
Cansada. Eu ando. Não. Não ando. Só cansada mesmo. Sem verbos e movimentos. Cadê o cartão ponto do processo do seu João? Tá, tudo bem, não tem. Qual é a proposta então? Tá, não tem também. As vezes eu esqueço que trabalho para empresas. E elas nunca tem nada, nunca sabem de nada. Não, não seu João. Não esqueci do Senhor. Mas eu esqueço de tudo. Mas do sr. eu não esqueci. Nem do remédio da minha mãe pelo sedex. Nem da consulta da Jade, na sexta. No morro. Pois é seu João. A empresa não tem proposta. É, eu sei. Eles nunca tem. Não seu João, não posso ligar pro sr. É falta de ética. Só seu advogado pode. Eu sou advogada da empresa seu João. É eu entendo. Tá certo. Na verdade eu não entendo nada, só disse que entendia por que tô cansada. E amanhã terei esquecido de vc por que preciso lembrar do sedex da minha mãe e da consulta da Jad as 8 no morro que não tenho mais medo.
Oi amor. Foi bom. A Jade tá bem. Tá indo. Tô com saudade. A fatura do cartão. O demonstrativo da sua mãe. Não, não posso esquecer. Tirar dinheiro amanhã. Buscar o documento também. E não pode ser em horário de almoço. Por que tá fechado. Eu lembro, eu sempre lembro de coisas pra você. Levar as roupas velhas e cobertores e coisas e tudo pra doar. O sofá aqui da sala não me deixa esquecer. Sim, vamos colocar no porta malas. Levamos tudo. É, fica lá mesmo. Não, não posso esquecer. O sofá, as roupas, as cobertas e meu frio. É, tenho que lembrar de comprar lençol. Não tenho mais lençol. Tem feito frio. E comprar meias. Preciso de meias novas. E uma havaiana. Que a minha eu perdi. Não, não esqueci dela. Só perdi. E perder é melhor do que esquecer. Perder é desculpável. Esquecer não. Não lembrar não. Eu sou chata, velha e perfeccionista. Tenho que lembrar de tudo sempre. Mas é que eu ando cansada. Não. Andar é verbo e movimento. Eu prefiro calmaria.Coisa de gente cansada. mas não tanto. Ainda sobra tempo pra ser feliz.
Amanhã eu preciso lembrar só de duas coisas: Comprar um caixa bem grande de sucrilhos e colocar o pacote na bolsa e comer escondida durante todo meu dia. Mesmo que pareça coisa de maluca. Mesmo que eu tenha plena certeza que estou pesando 415 kilos a mais por isso. Não tem importância. Será que cabe na bolsa? Se não couber eu troco. Não tem importância também. Só quero o sucrilhos lá. Por que ele tem o efeito do celular no meio da consulta. Felicidade sem anfetamina.
A outra coisa eu esqueci. Mas amanhã eu lembro. Tenho que lembrar. Não posso esquecer. Nem que eu lembre, anote e perca o papel. Por que perder eu posso. Esquecer é que não.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dislexia

Eu comprei uma calcinha de bolinhas. Acho que todo mundo nesse mundão de meu deus merece uma calcinha de bolinhas. *** Essa semana fiz uma audiência com o advogado bam bam bam do pedaço. Contraditei uma testemunha dele. (ho ho ho ho) Tô mais feliz que pinto no lixo. *** Minha TPM voltou. Veja bem. Fazia tempos que eu não me sentia tããããããão , tãããããão, tããããão digamos, alterada. Não me controlei e chamei umas duas barbeiras de "barbeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiras" no trânsito. Preciso tirar a carta logo. ***

terça-feira, 2 de março de 2010

Tô aceitando doação de ração light, papinha (para filhotes), ossos do tipo pequeno, fortekor, polaramine, artrim, furosemida (sim, os últimos quatro são remédios), uma caminha nova, shampoo para pelos claros, condicionador (de preferência com cheiro de morango da PetStar), entre outros.
Enfim, se você se sensibilizou com uma pobre mãe de duas cadelas idosas, mas não tem nada disso no seu lar doce lar, aceito dinheiro também. Manda e-mail que eu informo a conta do Bradesco.
Ó vida.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Campanha: Braços abertos em Buenos Aires!

Grude e e e e
Eu podia jurar que só tinha tirado uma foto de braço aberto...
é isso.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Alguém viu minha criatividade por ai?
Socorro!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Peneeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelope, sai daí agora!!!!!!!
( e ela continua fazendo xixi no boxe, tranquilamente).
E eu ainda me comovo com a minha psicologia canina.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Meu herói meu bandido.

Hoje ele ligou pra dizer que me amava. E ao invés daquele "eu também" que soa como um "pode colocar as minhas moedas na caixinha para as crianças com câncer", que a gente diz pra moça da farmácia, só pra não deixar sem resposta, aquilo que ecoa, ali, eu disse em alto e bom tom "Eu também te amo um monte". Sem pensar nas brigas, nas escolhas erradas, na doença da minha mãe, que todo mundo jura que é culpa dele, eu jurava que era culpa dela, mas agora acho que não é culpa de ninguém.
Eu disse eu te amo um monte pra alguém que eu jurei aos prantos que nunca mais olharia na cara. Pra alguém que me fez perder tantas noites de sono, por que a minha mãe não conseguia dormir de saudade. Pra alguém que eu já até pensei em roubar um fio de cabelo escondido, guardar dinheiro pra um exame de DNA e poder provar (só pra ele) que eu não tinha aquele gene.
E então ele me disse pra ser mais feliz que ele.
E eu mudei de assunto. Falei da viagem de Buenos Aires. Não quero meu pai triste.
É, eu não quero você triste, mesmo que eu tenha jurado por anos que seria muito justo você passar pela dor de mamãe.
Hoje eu só quero que meus filhos me amem do jeito que eu aprendi a amar vocês.
Minha mãe com todas as internações, e dramas, e tentativas de suicídio e porres e choros.
Meu pai com toda a ausência, a falta de presença, a insensibilidade.
Hoje eu amo.
Sem reticência.
Sem ponto de interrogação.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A verdade do amor (uma das)

Não sobra espaço pra muita coisa quando você ama alguém. Mas não vale aquele amorzinho barato, de gente que não ouve "eu te amo" há tempos e passa a jurar amor eterno pra qualquer desconhecido que conheça a sua mãe. Não, não.
Eu falo de cumplicidade, intimidade, infinidade.
Falo de sorriso besta, de mão boba e de rima fácil.
Não havia quem me fizesse acreditar que o amor chegaria antes dos 38. E quando chegasse eu estaria tão acostumada a viver sem ele que não ia querer mais. A gente se acostuma com a falta e depois a presença incomoda. E incomoda e grita e arde e dói. E machuca. E aí perde a força e então emudece. É assim com quase tudo.
Agora só falo de filhos, de casa, de varanda gourmet e vivo espalhando minha felicidade por aí.
E eu nem tenho trinta.
Feliz 2010.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Esse ano a Samantha fará farofa de banana no Natal.
E comerá ela toda sozinha com o grude dela.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu gosto de homens e mulheres. E você, o que prefere?
Se eu não fosse hetero até o último fio de cabelo, juro que mandaria uma cantada dessa.
Mas esse culhão só Ana Carolina meu bem.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ela tinha pelo menos 10kg a mais que eu. E a bunda dela nem era dura. Aliás, acho que dura mesmo só de grana. Concluiu o segundo grau a duras penas, por que conciliava as aulas com os shows do namorado pagodeiro (com banda e cd e todo o resto). Namorou com um cidadão de cabelo loiro e boné "pra trás" durante toda a adolescência. Jurou amor eterno, chegou até a ficar noiva. Mas o moço trocou pela miss qualquer fruta de maio.
Hoje trabalha como caixa na Americanas. Unha quebrada, se veste mal. É brega mesmo. O último livro que ela leu deve ter sido algum indicadopela professora que tentava ensinar Literatura em escola pública. Mémórias póstumas. Foi esse. Só pode.
Não, ela também não é mais nova. Deve ter bem uns 5 anos a mais. Mas qualquer um daria 10. Tá acabada a moça. Só ouve música pop. Hits do verão.
Mesmo assim ele me trocou por ela. E eu fui chorar pra minha vó. Chorei, chorei e chorei mais. Engasguei com tanto soluço. Sequei o rosto e chorei mais. Desamor tem que ser assim. Com muita lágrima. Principamente se você foi trocada por outra e essa outra é mais feia, mais velha e mais pobre.
Nada justifica. Só me restava xingar a infeliz. E chorar pra minha vó. E contar que na última sexta eu esperei ela sair da loja, fiquei dentro do carro, segui a desgraçada de ônibus, até o final do mundo onde ela mora. Fiquei chorando e olhando de dentro do carro. Ela desceu do ônibus, cheia de sacolas, passou na padaria, pegou pão, um pacote grande. Foi pra casa e mandou mensagem pra ele, com direito a risadinha e suspirinho antes de entrar portão afora. Quase bati na porta de algum vizinho, que pudesse me dizer alguma coisa.
Que pudesse explicar por que uma mulher linda, inteligente, culta, bem educada, fina e cheirosa e incrível como eu tinha perdido ele. Pra ela. Seria mais ou menos assim: O que ela tem que eu não tenho?
E ela não tinha nada. Só ele.
E eu trocaria minha faculdade, minha pós, meus cursos de inglês inacabados, minha casa em bairro chique, meu carro, meus cremes, minhas maquiagens, até meu melhor jeans eu trocaria por ele. Mas ela não ia querer a troca. Quem trabalha feito escrava na Americanas não teria tempo pra usar tudo isso. Ela preferiria o ônibus e o pacote de pão.
Vovó ouviu tudo calada. Ouviu o choro, as lamurias, me ouviu xingar a moça, xingar ele, xinguei até o DEM. Roguei praga, ameacei fazer mandinga.
Vovó com toda sua sabedoria de mulher com mais de 70 disse só uma coisa, uma só:
Ela também tem buceta minha filha.
E voltou pra cozinha por que tinha panela no fogo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Parece estória de humor. Mas não é.

Toda vez que eu vou fazer exame de sangue eu rezo. Rezo muito, rezo pra cacete eu diria.
Hoje não foi diferente. Acordei antes das 6 (detalhe: o exame era às 8) fiquei inqueita, sem sono e como fome. Pra ajudar ainda não se pode comer por 12 horas. E sempre que você não pode comer a vizinha resolve achar pão de queijo cedinho cedinho. Uma coisa.
Pois bem, fui ao tal laboratório, sentei e voltei a rezar. Olha, eu não rezo à toa não. Se eu tô rezando pode apostar que a coisa tá feia mesmo. Eu sempre tenho a sensação de que eu vou desmair, não vão achar minha veia, vão me furar inteira, vai sair um monte de sangue. Sim, por que é trauma. Alguém disse que era (por que eu sou assim desde cotoca) e eu prefiro acreditar.
A moça me chama, demora uma vida pra fazer a ficha. A carteira do plano de saúde é de Curitiba...bla bla bla...tem mais de 10 solicitações e ela não acha o campo na guia on line (maldita tecnologia- é, eu também odeio a modernidade, inclusive este blog. Mas é assunto pra outro post)...bla bla bla...Qual a data de expedição do meu RG...bla bla bla.
Ela vai tagarelando, praguejando a vaca (eu deveria ter dito pobre) atendente da Unimed e eu rezendo. Rezando e tentanto não me perder na única oração que eu sei, o Pai Nosso. A cada pergunta dela eu me perdia, começava de novo. Então ela me dava uma coisa pra assinar, pronto, volto que estás no céu.
Me dá a moça um papel (o resultado sai na internet, coisa fina meu bem) e me pede pra esperar alguém chamar meu nome (a única coisa arcaica no super mega hiper moderno laboratório). Continuo rezando pra que dessa vez demore, ou então a moça que tira os angue passe mal e precise ir embora e não tenha mais ninguém pra substituir e eu possa ir embora e também dizer que eu fui, que eu sou machona. Mas não. A mulher, que eu imagina gorda, velha e rabujenta (cujo nome só pode ser Alzira) é um moça da minha idade com um sorriso lindo.
Entro avisando pra colher o sangue (expressão estranha né? Colher o sangue. Sangue, legumes, frutas, sei lá.) Bom, entro, peço pra tirar o sangue deitada, que eu passo mal, essas coisas.
Ela sorri. Me deita. Diz que eu tenho olhos lindos. Pergunta minha idade. 24 moça. Pergunta se estou grávida. Ainda não.
Tira o sangue. Eu passo mal. Acho que vou quase morrer. (Sério, sério e sério)
Mas não morro. E rezo pelo menos uns 20 Pai Nosso.
Toda a reza pra esse fim de ano.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Viva.
E cuide de você.
Só.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Eu ando cansada. Minha alma dói. Mas ninguém vê. E nem poderia. Mulher maravilha é sempre mulher maravilha. Mas eu ando cansada. E minha alma dói.
Lutando com uma coisa que eu conheço há tantos anos e na verdade é como se me tivesse sido apresentada ontem. Ou hoje. Ou talvez só me vá ser apresentada algum dia, por ai. Talvez.
Que mamãe é alcóolica não é segredo pra ninguém. Basta uma conversa de ponto de ônibus e eu conto metade das minhas coisas. E das coisas que não são minhas também. Eu só conto mesmo pra desconhecidos. Por conversar com quem conhece de mais a gente é esquisito. Mas o que ninguém sabe (e nem ficará sabendo) é que ela tá com início de cirrose, tem diabetes, tá um pouca cega até. Não não, isso ninguém e nem vai saber.
E eu estarei do ladinho dela. Talvez louca, talvez muda, talvez gritando, berrando e jurando de pé junto que amanhã eu mudo de casa. E desistindo da idéia no dia seguinte. As vezes no mesmo.
E eu estarei do ladinho dela. Sempre. Não por que mãe é mãe. Não não. Puta clichê sem sentido. Nem todas as mães são mães. A minha não foi, não é está há anos luz de ser. Eu estarei ali simplesmente por que não sei (e não quero) e fazer outra coisa.
Vou escrever um best seller e ficar rica.
Ter três cachorros e dois filhos, numa casa assim, bem grande, pra mim e pro grude.
Tá bom demais.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Você sabia que a Dona Florinda era namorada do Quico e depois casou com o Chaves?
Pois é. Nem eu.
Enganaram a mim e ao Professor Girafales.
(esse mundo só pode tá mesmo perdido)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eu queria falar da minha mãe que bebe todo dia e sempre e tanto que me enlouquece. Mas não o suficiente pra ficar louca. Não, não. Só o necessário pra não ser normal. Eu queria falar também que eu ando batendo mais forte do que muito marmanjo no boxe e depois de quase dois anos de muito suor e mão e braço e tudo doendo, pela primeira vez, o Felipe elogiou. Elogio também seria muito, na verdade ele só disse um "muito bem". Mas pra quem conhece o Felipe sabe que isso é praticamente uma medalha de honra ao mérito, daquelas que a gente ganhava no colégio mesmo sendo o segundo lugar na categoria queimada. Eu queria falar também das minhas cachorras. Que elas estão ficando velhas e surdas. Não sei se mais surdas ou se mais velhas. E que as vezes eu choro, sozinha, do nada, assim. Quando penso que uma delas vai morrer. Eu nunca soube muito bem lidar com essa coisa de que tudo morre. Bom, pelo menos as coisas vivas. As vezes as não vivas também morrem. Tem gente que nem nasce, mas crece. E morre. Eu queria também falar do meu namorado. Do meu princípe. Do meu amor. Queria falar também que eu não consigo mais escrever absolutamente nada que tenha sentido. Nem se eu tentar falar sobre a Corruptolândia que é nosso Brasil varonil. Viram o caso do prefeito de Monte Alegre? Pois é. Tem também a hipocrisia hedionda das pseudo pessoas civilizadas que vivem aqui, ali e acolá. E as pessoas pseudo civilizadas (e olha que nem sei se ter civilidade é tão bom assim) estão inundando o mundo. Agora usar mini saia em faculdade virou sinônimo de puta! Ah...as patricinhas drogadas que bebem e cheiram e trepam com tudo nas raves (e fora delas também) é que disseram... Eu queria muito falar alguma coisa. Sério.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu devia ter feito Medicina:
Até os 12 é virose.
Dos 12 pra cima é stress.
Mole não?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009