quinta-feira, 3 de junho de 2010

Toda a minha carreira teatral.

Quando eu tinha uns 6 anos, ganhei meu primeiro papael no teatro:

 Uma árvore.

Sim, mas não era uma árvore qualquer. Era uma senhora árvore. Imagivem vocês, meus queridos leitores: O tronco era uma caia de papelão pintada de marrom, que nós mesmos, crianças de 6 anos, pintamos nas aulas de Ed. Artística. (viva a criatividade das tias e o projeto pedagógico!). As folhas eram feitas de papel crepom verde, muito papel crepom verde. Na minha cabeça botaram uma cesta com maças.Na verdade não sei de quem foi essa brilhante idéia. Será que maças só nascem no topo das árvores? Aham? Enfim. Naquela época eu não era tão questionadora, graças a Deus.

Ocorre que depois de muito ensaiar e as tias convocarem TOOOOOOOOOOODAS as mães e pais e primos e avós de todo mundo, minha rinite resolveu atacar. Sim, por que eu tenho rinite desde que me conheço por gente. Não deu outra. Fiquei famossérrima. Conhecida como a árvore que espirrava. Espirrei, espirrei e espirrei durante toda a peça. Acho que foi a coisa mais difícil que eu fiz na vida. Espirrar sem perder todo aquele crepom verde, digo, folhas. Tomar cuidado pra toda água que descia nariz abaixo não borrar a caixa de papelão marrom. Um horror.

Claro que as outras crianças de 6 anos acharam o máximo desde então me apontar e dizer "olha a árvore que espirra" e morrer de rir. Muito agradável.

Pedi, implorei, chorei e fiz o maior drama pra minha mãe me trocar de colégio, afinal, ser reconhecida pelas mães dos meus milhões de amiguinhos de 6 anos como a árvore que espirrava era um motivo de força maior. Mas ela se mostrou absolutamente insensível com o e´pisódio e me manteve no Leopoldinho III - Nós educamos seu filho com amor. Mentira. Lá eles criam monstros infantis que vão rir de você por toda a sua vida.

Anos mais tarde, já no terceiro ano do ensino médio, fui convocada pro papel de freira no Colégio São José, religioso até o último fio de cabelo de São Palloti (Santo fundador do troço). Eu estudava lá como bolsista, não teve como negar pra madre superiora. Até contei o episódio da árvore que espirrava mas ela disse que era bobagem, que eu era nova demais e que meu papel só teriam duas falas.

Fui lá com todo meu trauma.

A roupa da freira era uma espécie de pano de cortina branco, com um pano de cortina preto por cima, o que me levou a fazer certa comparação sobre a falta de investimentos em figurino e cenário, que anos mais cedo eu tinha notado no Leopoldinho. Tinha um óculos também. Não sei por que raios de motivo além de freira eu tinha que usar óculos. Era castigo demais pra um ser só. Mas fui forte e não fiz objeção quando a moça me deu aquele negócio com cara de "eu já passei em muitos narizes".

Pois bem.

Falei pra moça que estava nos vestindo que achava melhor colocar um short por baixo, vai que o pano de cortina rasga né? Ela disse que era bobagem (igualzinha a madre havia dito), que o figurino já tinha sido usado milhares de vezes (olha que maralhinha, como o óculos!) e que nunca aconteceu nada.

No dia da apresentação o Colégio tava cheio, era dia do tal São Palloti e todas as carolas mães de alunos estavam por lá, elas e as família quatrocentonas de São Bernando do Campo.

Adivinha o que aconteceu?

Tropecei no pano de cortina, na parte branca e cai no palco. Não bastasse a vergonha pelo tombo, metade da minha bunda apareceu (leiam acima: Eu havia pedido pra ficar de short!) por que o pano de cortina subiu. Encerrei a minha gloriosa carreira teatral sob os olhares chocados das velhinhas da platéia.

Era melhor ser uma árvore que espirrava do que uma freira de bunda de fora.











domingo, 23 de maio de 2010

Hoje eu queria dizer tanta coisa, que no fundo no fundo, não consigo dizer coisa nenhuma.

Um saco.

Vamo dormir Pê. Tá na hora.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

top blog 2010.

Meus queridos milhões de leitores, o top blog 2010 indicou minha pessoa ao prêmio na categoria variedades.

Sim, embora eu não saiba por o link aqui, devo dizer que vocês podem achar no google o site, jogar meu nome e sobrenome (tudo junto) na barrinha (não do Google né?) e pronto. Tá lá.

Agora, por favor, não votem em mim, ser famosa dá muito trabalho.



segunda-feira, 17 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

Perdão.

Eu sempre acreditei que perdoar fosse coisa de duas mãos. Que era necessário pedido de um lado e a dação de outro. Cresci com esse protocolo arraizado em mim. Alguém pede, alguém dá. Pronto. Tá perdoado. Nao vale se não for assim. Tipo regra de esconde esconde sabe? Quem bate cara não pode olhar, do mesmo jeito que pra ter perdão, tem que ter bilateralidade. Uma coisa não existe sem a outra. Se no esconde esconde quem olha bate cara de novo, nessa coisa antropológica de perdoar, se um dos lados não concorda com o contrato não tem perdão. Simples e pesado.

Mas perdão não é assim. Gracias a Dios.

Basta que eu peça , mesmo que o outro se recuse. Vale ainda o contrário, vale mesmo se eu pedir e o outro não der. Quando eu era pequena e aprontava alguma coisa (e eu sempre aprontava alguma coisa) minha mãe que já morreu (por que tenho uma viva - eu tenho duas) sempre dizia que eu tava perdoada.

Minha irmã, que boa pessoa já não era desde as fraldas dizia: Mas mãe, ela nem pediu desculpa!

Mamãe se limitava a dizer que eu tava perdoada e pronto.

É claro que a gente quase não entende nada quando é pequena, se fosse assim não haveria tempo pra brincar. Eu achava o máximo que a minhã mãe fosse assim. Eu fazia o diabo e ela perdoava. Perdoava e perdoava e perdoava mais. Quase nunca eu pedi desculpas, e as poucas vezes que pedi foi por nítida ameça de perder alguma regalia infantil: não fui sincera.

Cresci num lar onde havia perdão dado, doado, sem pedido. E por mais que eu me tente, não tenho a grandeza da minha mãe.

Não sei perdoar todo mundo. Não guardo a mágoa, isso não. Mas também não perdoo.
Mas ó, nao é de todo mal, pedir desculpa eu sei. E como sei. Peço desculpa sem problema, sem orgulho, sem medo de nao ser perdoada.

E todo esse texto foi só por que lembrei da minha mãe.
Que me perdoava sempre e tanto e mais.



domingo, 9 de maio de 2010

É tanta felicidade que não cabe em mim.
Transborda.
Na pele, no cabelo, na fila do pão.

O grande amr da minha vida tá ali. É vizinho. É meu.
Tem o sorriso lindo.
A mão linda.
Até a unha do pé dele é linda.

Na rua, na chuva, na fazenda.
É o sentido, o caminho e a direção.
De um coração que sempre acreditou, mas nunca encontrou nenhum motivo.

E agora tem até apartamento com varanda gourmet, tem filhos lindos que não nasceram. Tem toda uma vida pra dar certo.


Samantha
brega e romântica.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

quinta-feira, 29 de abril de 2010

eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Passei na aula de motoca!

O Ministro e o Sexo.

O Seu Ministro mandou todos os velhinhos fazerem sexo contra a hipertensão.
Quero ver quando a velharada começar a ter ataque do coração o que é que ele vai dizer.
Né não?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mundo cão.

Hoje algum vizinho desconhecido do prédio da frente tentou jogar um saco de pão na minha cabeça, enquanto eu voltava distraidamente do boxe. (sério.)

O mundo tá mesmo perdido.

Amor de longe.

Eu amo a minha mãe.
Muito.
Assim, um monte.
Mas de longe.
A última temporada de D. Rosana aqui em casa deixou isso muito claro.

Eu amo ligar, bater papo, fofocar.E eu faço isso sempre. Muito mais do que quem ama a mãe de perto.
Amo ir ao Correio, botar sedex, escrever cartinha. Com letras grandes, pra minha mãe cegueta poder enxergar.
Amo até ter que pagar tudo, pra que eu possa me sentir menos culpada pelo meu amor de longe.

Minha mãe de perto irrita. E me dá vontade de sair correndo. E de chorar. E de gritar. Que eu queria outra mãe. Pra ter dividido um monte de coisa que eu contei pras tias. As mães das minhas amigas. Mas as minhas amigas nunca contaram nada pra minha mãe. Elas tinham as delas. Só eu é que não tinha a minha.

Eu amo a minha mãe de longe, mas não sei explicar. Nem pra ela, nem pra ninguém, nem pra mim mesma.
Meu amor tem cheiro de mentira.
Quem ama quer tá perto, tá junto, quer dividir.
Eu não.
Eu quero mamãe longe.
Pra manter a calma. O sereno.

É que de longe eu posso criar diálogos imaginários, posso montar a mãe que eu quero.
De perto não dá.
Ela chora, dramatiza, espera que eu tenha cinco anos.
Quer que o tempo volte, e como ele não cede ela se perde.

Dia desses resolvi contar tudo isso.
Esperei o grande drama do século.
Mas não.
Ela simplesmente falou que eu sou esquisita mesmo. Que o problema deve ser meu pai. Claro.
E emendou o assunto, perguntando quando é que eu vou pra lá. Por que ela acha que quebrou o aparelho de medir glicose que eu dei.

Mamãe é realmente imprevisível.
Mas eu amo.
De longe.







segunda-feira, 12 de abril de 2010

Meus queridos milhares e milhões de leitores. Sim, por que o contador está com defeito. Só pode. Eu prefiro dormir acreditando que meu blog é pop na internet. Fenômeno. Devo dizer a vocês que estou tirando carta de moto. Sim, e o velhinho que me dá aula bota defeito em todo circuito.

Uma hora ele sisma que eu deixo a mão no manete antes de colocar a segunda, perto da reta. É, é, aquela que você tem que andar em cima, retinho. E eñtão quando eu não coloco a mão na droga do manete aí ele reclama que a aceleração tá pouca.

Depois ele diz que coloquei a seta antes de terminar o suposto ponto onde ficará o examinador (ele me pede toda aula pra imaginar um examinador num lugar x). Vou de novo, coloco a seta depois, e adivinha? Ele diz que devia ter colocado antes. Hoje tomei coragem e perguntei se há um local imaginário pra seta também. Ele me ignorou.

A última dele foi dizer que eu não devia acelerar na curva, mesmo a curva tem uma leve inclinação (leia-se subida). Lá vou seguir os ensinamentos do seu João. Não preciso nem dizer que a moto morreu. Ele veio e disse que tenho que acelerar, mas pouquinho sabe? Pois é.

Como e sou uma pessoa muito paciente e tolerante creio que até a 10ª aula eu consiga não mandá-lo pra puta que pariu. Ele e o examinador. O imaginário, claro. Melhor. Ele, o examinador imaginário e o ponto cedo-surdo-mudo da seta.

E tenho dito.


quarta-feira, 7 de abril de 2010



Três bons motivos para não trocar a resistência do chuveiro.

pré scriptum: Fiz questão de ressaltar que é do chuveiro por que nenhuma mulher bem resolvida do século XXI tem obrigação de saber.

motivo 1: É a única ocasião em que você exercita todo seu talento pra cantar (e interpretar) as músicas do Fagner, do Fábio Júnior e do Wando. Sim, eu gosto de todos eles e acho fundamental música brega para aquecer um banho gelado.

motivo 2: Se você não costuma alongar direitinho que nem a tia da academia manda, eis a solução. É impossível não pular, se chacoalhar e se contocer, na tentativa (sempre em vão) de não molhar suas costas. Se você, mulher bem resolvida e pagadora de suas contas,  tem um chuveiro queimado em casa sabe exatamente do que eu tô falando. Bom, na verdade você só não sabe mesmo como consertar.

motivo 3: É a unica situação em que você compra alguma coisa (no meu caso foi uma amiga), não usa, e não se sente absolutamente nadinha culpada.


quarta-feira, 31 de março de 2010

Minha mãe disse que eu sou o equilíbrio e o descontrole em forma de gente.
Odeio praga materna.
Gostar de gente dá muito trabalho. Você vai lá, investe tempo, dinheiro, paciência. Liga mesmo sem ter tempo, sorri às vezes sem vontade por que faz parte. Escuta, escuta e escuta. Vez ou outra topa algum programa idiota, só pra não dizer não mais uma vez. Fala da sua vida, se importa. E importar-se com alguém além de nós é sempre difícil. O ser humano é egoísta. Eu também sou.
Você faz tudo isso e pra que?
De repente essa gente toda surta. É, assim, do nada. Alguns surtam por que você namora, outros por que trabalha demais. Tem alguns até que surtam por que você sorri. Por que você chora. Por que você gosta mais da sua cachorra. por que você não bebe, não fuma, não cheira. Sei lá. Essa gente toda que você investiu alguma coisa simplesmente enlouquece mais que o limite do socialmente aceitável.
Eu sempre prefeiri não gostar. Eu não gosto de quase ninguém.
Gostar dá um trabalho do cacete e quase nunca vale a pena.
Não tenho orkut, face sei lá o que, twitter, rede de relacionamentos me irritam. Eu sou chata. Mas o mundo é mais.
Eu quase não tenho tempo pra ver minha amiga, que trabalha aqui pertinho de casa, imagina responder recado de alguém que eu nem lembro o sobrenome, mas se diz meu amigo por que estudamos juntos na 4ª série...
Não, não. Eu sou chata, velha e ranzinza. Mas ando mais tolerante. Treinando horrores pra. Essa chatice toda fica em linhas, aqui no blog, para vocês meus milhares de leitores.
Talvez eu escreva um best seller, falando do meu pânico de gente. E do buraco que eu vejo em quase todo trausente.
Eu morro de medo de buracos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

15 anos.

Quando eu tinha quinze anos jurava que meu primeiro porre viria antes dos dezoito. Não veio.

Jurava que tomaria uísque, num copo sem gelo. Todo final de tarde. Que pintaria as unhas do pé de vermelho. Com o copo de uísque na mão. Entre meus dedos dos pé teria aquele negócio amarelo, pra separar. Aquele que a Cláudia Raia usou numa novela brega qualquer. Mas aos 25 eu não gosto de uísque. Nem de esmalte vermelho. Então a utopia de pintar a unha do pé com uma mão e beber uísque sem gelo com a outra, numa sala colorida ao som de Elis Regina morreu.

Aos quinze eu também achava que ia me formar em Veterinária.
Mas eu fiz direito.
Aos quinze eu tinha certeza que minha mãe me enlouqueceria.
Bom, eu tava certa.
Aos quinze eu odiava meu pai. Eu e todo meu ódio adolescente.
Hoje eu amo. Sem reticências, sem interrogações. Sem tantos por quês.
Aos quase quinze eu planejei muito a tal festa de debutante. Escolhi mentalmente docinhos, a roupa, quem eu convidaria, quem não iria de jeito nenhum (e quando se é adolescente há sempre duas listas - a de quem vai e a de quem não vai. Hoje eu não faria por preguiça). Pois é. Escolhi e planejei tudo. Tim tim por tim tim. Ai papai me deu uns dinheiros, que eu nem lembro bem quanto.
Torrei todo o meu planejamento festivo e festeiro num tal de elisbelt da Feiticeira. Sim sim. Aquela mesma. A do Hulk. Do H. Queria ficar gostosona e fisgar o Thiaguinho pagodeiro da 8ª série. O negócio era uma fortuna, vendido nesses canais de baboseiras.
Ao contrário do previsto, além de perder minha festa incrível não fiquei com o corpo de odalisca da Sra. Joana, hoje evangélica. Também não arrebatei o coração do Thiaguinho pagodeiro, que a essa altura já estava com uma peituda do 2ª ano. Graças a Deus.
Tem coisas que a gente só faz aos 15. Ou quase quinze.
Definitivamente.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Tolerância (in-in-in)

Eu juro pela minha mãe mortinha que tenho tentado ser mais tolerante nesse mundão de meu Deus.
E olha, se eu jurei pela minha mãe mortinha pode acreditar que é sério.
Mas aí o estagiário chega atrasado em plena quarta-feira. Puta que me pariu! E eu avisei umas trocentas vezes que hoje meu chefe estaria no escritório. Vamos lá Samantha, concentra, exercita a tolerância.
Tudo bem se ele entra meio dia (MEIO DIA!!!!), 40 minutos é bobagem.
Tolerância. Tolerância. Tolerância.
Pronto. Passou.
Mas aí a mulher do distribuidor do fórum trabalhista que jura que é minha amiga de infância pergunta da Jad. E eu nem sei como ela sabe da Jad. Eu falei, ou não falei. Talvez ela seja bruxa. Tem cara e cabelo de. Pois é. Me pergunta. E eu queria que ninguém nunca mais no mundo todo me perguntasse dela. Queria ficar quietinha. Só eu e toda a minha dor de quem perdeu uma cachorra que sorria e que dormia e que virara de barriga pra cima só pra mim. Mas ela perguntou. Preciso dizer alguma coisa. Então falo que ela tá bem. Não importa que ela tenha morrido. Não quero falar nisso e ponto. Ela insiste. Quer sabe bem como. Então além de ressucitar a cachorra eu encerro a conversa dizendo que a Jad já tá tão boa que voltou a andar na rua. É tudo mentira, eu sei. Mas eu não quero falar nisso. Não quero que ninguém nunca mais no mundo me pergunte da minha cachorra. Quero ficar só eu e a minha dor. Só eu, ela e o sorriso sem dente que ela tinha.
Tolerância. Tolerância. Tolerância.
Mas aí eu fico 1:40h na fila do banco e o cidadão (vulgo bancário) ainda me oferece um investimento quando eu ia sacar o alvará. Se não fosse hoje, um dia que eu resolvi ser metodicamente tolerante, eu teria feito um puta discurso apaixonado sobre venda casada, código de defesa do consumidor e capitalismo. Calma, vai que dá.
Só respiração não dá dando certo. Viver num mundo que ninguém respeita ninguém é froid.
Lembro do Gustavo. Penso que eu preciso ser um ser humano melhor. Lembro de mamãe. Que falava sempre e pra todo mundo que meu apelido era crica. Já sabe por que né? É sempre assim que ela diz.
Final do dia. Vamos lá. Hoje tolerei o universo insuportável de gente. E eu não gosto de gente. Mas eu disfarço muito bem. Eu quase não gosto de ninguém que as poucas pessoas que eu gosto dá pra dizer assim, num minuto só.
Eu sou mesmo ranzinza. Mas tô tentanto acreditar que a tolerância é prática. Uma hora eu acostumo. Deve ser assim.
Hoje eu sorri, fui educada, simpática e nem fiz cara de quem tava comendo jiló. Eu nunca comi jiló na verdade. Mas posso imaginar como é.
Hoje eu nem reclamei das gordas que atrapalham a aula de boxe ou das pivetas que vão lá pra azarar alunos da medicina. Hoje não. Hoje eu fiquei quieitinha. Batendo muito calma e tolerante mente no meu saco.
Hoje eu não fui tão intolerante. Eu acho.

quarta-feira, 17 de março de 2010

As vezes eu fico tão cansada, tão cansada, tão cansada, que até esqueço do resto todo.
Esqueço que tenho que colocar os remédios de mamãe no correio, por que senão a dor na perna piora. E tenho que colocar também os laudos, a carteira de trabalho e tenho que ligar no 135 e agendar a perícia lá, em Piracicaba. É , não posso esquecer de avisar a moça do 135 que é perícia em trânsito. Preciso lembrar e lembrar e lembrar. É, não posso esquecer. Não posso. Preciso perguntar pra mamãe se o psiquiatra escreveu as coisas que eu deixei anotadas, no laudo, pro médico que a moça do 135 vai marcar.
Mas é que eu ando cansada. Não ando. Só cansada. E então não posso esquecer que a cachorra quase cadeirante amor da minha vida toda toma seis remédios. Tem dois de oito em oito. Não posso esquecer de colocar o relógio pra despertar as duas. Não posso, não posso e não posso. Esquecer de nada. Lembrar de tudo. E sempre e sempre e sempre. Sexta tem consulta. E choro. Eu choro e choro e choro. Dói. A veterinária fala coisas que eu finjo que não entendo. E atendo o celular, e falo com todo meu advogadês lindo. Mas é fuga. Só fuga. Eu fujo por que não quero saber daquilo tudo que ela fala. Mas eu sei. E ai dói. E então eu volto pro celular, pra algum cliente, pra algum agravo, pra qualquer recurso. É, não posso esquecer. Sexta tem consulta. As oito. No morro. Mas eu nem tenho mais medo de subir de moto no morro. Já sei subir. Eu e o amor da minha vida toda. Minha cadela que não anda.
Cansada. Eu ando. Não. Não ando. Só cansada mesmo. Sem verbos e movimentos. Cadê o cartão ponto do processo do seu João? Tá, tudo bem, não tem. Qual é a proposta então? Tá, não tem também. As vezes eu esqueço que trabalho para empresas. E elas nunca tem nada, nunca sabem de nada. Não, não seu João. Não esqueci do Senhor. Mas eu esqueço de tudo. Mas do sr. eu não esqueci. Nem do remédio da minha mãe pelo sedex. Nem da consulta da Jade, na sexta. No morro. Pois é seu João. A empresa não tem proposta. É, eu sei. Eles nunca tem. Não seu João, não posso ligar pro sr. É falta de ética. Só seu advogado pode. Eu sou advogada da empresa seu João. É eu entendo. Tá certo. Na verdade eu não entendo nada, só disse que entendia por que tô cansada. E amanhã terei esquecido de vc por que preciso lembrar do sedex da minha mãe e da consulta da Jad as 8 no morro que não tenho mais medo.
Oi amor. Foi bom. A Jade tá bem. Tá indo. Tô com saudade. A fatura do cartão. O demonstrativo da sua mãe. Não, não posso esquecer. Tirar dinheiro amanhã. Buscar o documento também. E não pode ser em horário de almoço. Por que tá fechado. Eu lembro, eu sempre lembro de coisas pra você. Levar as roupas velhas e cobertores e coisas e tudo pra doar. O sofá aqui da sala não me deixa esquecer. Sim, vamos colocar no porta malas. Levamos tudo. É, fica lá mesmo. Não, não posso esquecer. O sofá, as roupas, as cobertas e meu frio. É, tenho que lembrar de comprar lençol. Não tenho mais lençol. Tem feito frio. E comprar meias. Preciso de meias novas. E uma havaiana. Que a minha eu perdi. Não, não esqueci dela. Só perdi. E perder é melhor do que esquecer. Perder é desculpável. Esquecer não. Não lembrar não. Eu sou chata, velha e perfeccionista. Tenho que lembrar de tudo sempre. Mas é que eu ando cansada. Não. Andar é verbo e movimento. Eu prefiro calmaria.Coisa de gente cansada. mas não tanto. Ainda sobra tempo pra ser feliz.
Amanhã eu preciso lembrar só de duas coisas: Comprar um caixa bem grande de sucrilhos e colocar o pacote na bolsa e comer escondida durante todo meu dia. Mesmo que pareça coisa de maluca. Mesmo que eu tenha plena certeza que estou pesando 415 kilos a mais por isso. Não tem importância. Será que cabe na bolsa? Se não couber eu troco. Não tem importância também. Só quero o sucrilhos lá. Por que ele tem o efeito do celular no meio da consulta. Felicidade sem anfetamina.
A outra coisa eu esqueci. Mas amanhã eu lembro. Tenho que lembrar. Não posso esquecer. Nem que eu lembre, anote e perca o papel. Por que perder eu posso. Esquecer é que não.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Dislexia

Eu comprei uma calcinha de bolinhas. Acho que todo mundo nesse mundão de meu deus merece uma calcinha de bolinhas. *** Essa semana fiz uma audiência com o advogado bam bam bam do pedaço. Contraditei uma testemunha dele. (ho ho ho ho) Tô mais feliz que pinto no lixo. *** Minha TPM voltou. Veja bem. Fazia tempos que eu não me sentia tããããããão , tãããããão, tããããão digamos, alterada. Não me controlei e chamei umas duas barbeiras de "barbeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeiras" no trânsito. Preciso tirar a carta logo. ***

terça-feira, 2 de março de 2010

Tô aceitando doação de ração light, papinha (para filhotes), ossos do tipo pequeno, fortekor, polaramine, artrim, furosemida (sim, os últimos quatro são remédios), uma caminha nova, shampoo para pelos claros, condicionador (de preferência com cheiro de morango da PetStar), entre outros.
Enfim, se você se sensibilizou com uma pobre mãe de duas cadelas idosas, mas não tem nada disso no seu lar doce lar, aceito dinheiro também. Manda e-mail que eu informo a conta do Bradesco.
Ó vida.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Campanha: Braços abertos em Buenos Aires!

Grude e e e e
Eu podia jurar que só tinha tirado uma foto de braço aberto...
é isso.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Alguém viu minha criatividade por ai?
Socorro!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Peneeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeelope, sai daí agora!!!!!!!
( e ela continua fazendo xixi no boxe, tranquilamente).
E eu ainda me comovo com a minha psicologia canina.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Meu herói meu bandido.

Hoje ele ligou pra dizer que me amava. E ao invés daquele "eu também" que soa como um "pode colocar as minhas moedas na caixinha para as crianças com câncer", que a gente diz pra moça da farmácia, só pra não deixar sem resposta, aquilo que ecoa, ali, eu disse em alto e bom tom "Eu também te amo um monte". Sem pensar nas brigas, nas escolhas erradas, na doença da minha mãe, que todo mundo jura que é culpa dele, eu jurava que era culpa dela, mas agora acho que não é culpa de ninguém.
Eu disse eu te amo um monte pra alguém que eu jurei aos prantos que nunca mais olharia na cara. Pra alguém que me fez perder tantas noites de sono, por que a minha mãe não conseguia dormir de saudade. Pra alguém que eu já até pensei em roubar um fio de cabelo escondido, guardar dinheiro pra um exame de DNA e poder provar (só pra ele) que eu não tinha aquele gene.
E então ele me disse pra ser mais feliz que ele.
E eu mudei de assunto. Falei da viagem de Buenos Aires. Não quero meu pai triste.
É, eu não quero você triste, mesmo que eu tenha jurado por anos que seria muito justo você passar pela dor de mamãe.
Hoje eu só quero que meus filhos me amem do jeito que eu aprendi a amar vocês.
Minha mãe com todas as internações, e dramas, e tentativas de suicídio e porres e choros.
Meu pai com toda a ausência, a falta de presença, a insensibilidade.
Hoje eu amo.
Sem reticência.
Sem ponto de interrogação.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A verdade do amor (uma das)

Não sobra espaço pra muita coisa quando você ama alguém. Mas não vale aquele amorzinho barato, de gente que não ouve "eu te amo" há tempos e passa a jurar amor eterno pra qualquer desconhecido que conheça a sua mãe. Não, não.
Eu falo de cumplicidade, intimidade, infinidade.
Falo de sorriso besta, de mão boba e de rima fácil.
Não havia quem me fizesse acreditar que o amor chegaria antes dos 38. E quando chegasse eu estaria tão acostumada a viver sem ele que não ia querer mais. A gente se acostuma com a falta e depois a presença incomoda. E incomoda e grita e arde e dói. E machuca. E aí perde a força e então emudece. É assim com quase tudo.
Agora só falo de filhos, de casa, de varanda gourmet e vivo espalhando minha felicidade por aí.
E eu nem tenho trinta.
Feliz 2010.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Esse ano a Samantha fará farofa de banana no Natal.
E comerá ela toda sozinha com o grude dela.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu gosto de homens e mulheres. E você, o que prefere?
Se eu não fosse hetero até o último fio de cabelo, juro que mandaria uma cantada dessa.
Mas esse culhão só Ana Carolina meu bem.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ela tinha pelo menos 10kg a mais que eu. E a bunda dela nem era dura. Aliás, acho que dura mesmo só de grana. Concluiu o segundo grau a duras penas, por que conciliava as aulas com os shows do namorado pagodeiro (com banda e cd e todo o resto). Namorou com um cidadão de cabelo loiro e boné "pra trás" durante toda a adolescência. Jurou amor eterno, chegou até a ficar noiva. Mas o moço trocou pela miss qualquer fruta de maio.
Hoje trabalha como caixa na Americanas. Unha quebrada, se veste mal. É brega mesmo. O último livro que ela leu deve ter sido algum indicadopela professora que tentava ensinar Literatura em escola pública. Mémórias póstumas. Foi esse. Só pode.
Não, ela também não é mais nova. Deve ter bem uns 5 anos a mais. Mas qualquer um daria 10. Tá acabada a moça. Só ouve música pop. Hits do verão.
Mesmo assim ele me trocou por ela. E eu fui chorar pra minha vó. Chorei, chorei e chorei mais. Engasguei com tanto soluço. Sequei o rosto e chorei mais. Desamor tem que ser assim. Com muita lágrima. Principamente se você foi trocada por outra e essa outra é mais feia, mais velha e mais pobre.
Nada justifica. Só me restava xingar a infeliz. E chorar pra minha vó. E contar que na última sexta eu esperei ela sair da loja, fiquei dentro do carro, segui a desgraçada de ônibus, até o final do mundo onde ela mora. Fiquei chorando e olhando de dentro do carro. Ela desceu do ônibus, cheia de sacolas, passou na padaria, pegou pão, um pacote grande. Foi pra casa e mandou mensagem pra ele, com direito a risadinha e suspirinho antes de entrar portão afora. Quase bati na porta de algum vizinho, que pudesse me dizer alguma coisa.
Que pudesse explicar por que uma mulher linda, inteligente, culta, bem educada, fina e cheirosa e incrível como eu tinha perdido ele. Pra ela. Seria mais ou menos assim: O que ela tem que eu não tenho?
E ela não tinha nada. Só ele.
E eu trocaria minha faculdade, minha pós, meus cursos de inglês inacabados, minha casa em bairro chique, meu carro, meus cremes, minhas maquiagens, até meu melhor jeans eu trocaria por ele. Mas ela não ia querer a troca. Quem trabalha feito escrava na Americanas não teria tempo pra usar tudo isso. Ela preferiria o ônibus e o pacote de pão.
Vovó ouviu tudo calada. Ouviu o choro, as lamurias, me ouviu xingar a moça, xingar ele, xinguei até o DEM. Roguei praga, ameacei fazer mandinga.
Vovó com toda sua sabedoria de mulher com mais de 70 disse só uma coisa, uma só:
Ela também tem buceta minha filha.
E voltou pra cozinha por que tinha panela no fogo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Parece estória de humor. Mas não é.

Toda vez que eu vou fazer exame de sangue eu rezo. Rezo muito, rezo pra cacete eu diria.
Hoje não foi diferente. Acordei antes das 6 (detalhe: o exame era às 8) fiquei inqueita, sem sono e como fome. Pra ajudar ainda não se pode comer por 12 horas. E sempre que você não pode comer a vizinha resolve achar pão de queijo cedinho cedinho. Uma coisa.
Pois bem, fui ao tal laboratório, sentei e voltei a rezar. Olha, eu não rezo à toa não. Se eu tô rezando pode apostar que a coisa tá feia mesmo. Eu sempre tenho a sensação de que eu vou desmair, não vão achar minha veia, vão me furar inteira, vai sair um monte de sangue. Sim, por que é trauma. Alguém disse que era (por que eu sou assim desde cotoca) e eu prefiro acreditar.
A moça me chama, demora uma vida pra fazer a ficha. A carteira do plano de saúde é de Curitiba...bla bla bla...tem mais de 10 solicitações e ela não acha o campo na guia on line (maldita tecnologia- é, eu também odeio a modernidade, inclusive este blog. Mas é assunto pra outro post)...bla bla bla...Qual a data de expedição do meu RG...bla bla bla.
Ela vai tagarelando, praguejando a vaca (eu deveria ter dito pobre) atendente da Unimed e eu rezendo. Rezando e tentanto não me perder na única oração que eu sei, o Pai Nosso. A cada pergunta dela eu me perdia, começava de novo. Então ela me dava uma coisa pra assinar, pronto, volto que estás no céu.
Me dá a moça um papel (o resultado sai na internet, coisa fina meu bem) e me pede pra esperar alguém chamar meu nome (a única coisa arcaica no super mega hiper moderno laboratório). Continuo rezando pra que dessa vez demore, ou então a moça que tira os angue passe mal e precise ir embora e não tenha mais ninguém pra substituir e eu possa ir embora e também dizer que eu fui, que eu sou machona. Mas não. A mulher, que eu imagina gorda, velha e rabujenta (cujo nome só pode ser Alzira) é um moça da minha idade com um sorriso lindo.
Entro avisando pra colher o sangue (expressão estranha né? Colher o sangue. Sangue, legumes, frutas, sei lá.) Bom, entro, peço pra tirar o sangue deitada, que eu passo mal, essas coisas.
Ela sorri. Me deita. Diz que eu tenho olhos lindos. Pergunta minha idade. 24 moça. Pergunta se estou grávida. Ainda não.
Tira o sangue. Eu passo mal. Acho que vou quase morrer. (Sério, sério e sério)
Mas não morro. E rezo pelo menos uns 20 Pai Nosso.
Toda a reza pra esse fim de ano.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Viva.
E cuide de você.
Só.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Eu ando cansada. Minha alma dói. Mas ninguém vê. E nem poderia. Mulher maravilha é sempre mulher maravilha. Mas eu ando cansada. E minha alma dói.
Lutando com uma coisa que eu conheço há tantos anos e na verdade é como se me tivesse sido apresentada ontem. Ou hoje. Ou talvez só me vá ser apresentada algum dia, por ai. Talvez.
Que mamãe é alcóolica não é segredo pra ninguém. Basta uma conversa de ponto de ônibus e eu conto metade das minhas coisas. E das coisas que não são minhas também. Eu só conto mesmo pra desconhecidos. Por conversar com quem conhece de mais a gente é esquisito. Mas o que ninguém sabe (e nem ficará sabendo) é que ela tá com início de cirrose, tem diabetes, tá um pouca cega até. Não não, isso ninguém e nem vai saber.
E eu estarei do ladinho dela. Talvez louca, talvez muda, talvez gritando, berrando e jurando de pé junto que amanhã eu mudo de casa. E desistindo da idéia no dia seguinte. As vezes no mesmo.
E eu estarei do ladinho dela. Sempre. Não por que mãe é mãe. Não não. Puta clichê sem sentido. Nem todas as mães são mães. A minha não foi, não é está há anos luz de ser. Eu estarei ali simplesmente por que não sei (e não quero) e fazer outra coisa.
Vou escrever um best seller e ficar rica.
Ter três cachorros e dois filhos, numa casa assim, bem grande, pra mim e pro grude.
Tá bom demais.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Você sabia que a Dona Florinda era namorada do Quico e depois casou com o Chaves?
Pois é. Nem eu.
Enganaram a mim e ao Professor Girafales.
(esse mundo só pode tá mesmo perdido)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eu queria falar da minha mãe que bebe todo dia e sempre e tanto que me enlouquece. Mas não o suficiente pra ficar louca. Não, não. Só o necessário pra não ser normal. Eu queria falar também que eu ando batendo mais forte do que muito marmanjo no boxe e depois de quase dois anos de muito suor e mão e braço e tudo doendo, pela primeira vez, o Felipe elogiou. Elogio também seria muito, na verdade ele só disse um "muito bem". Mas pra quem conhece o Felipe sabe que isso é praticamente uma medalha de honra ao mérito, daquelas que a gente ganhava no colégio mesmo sendo o segundo lugar na categoria queimada. Eu queria falar também das minhas cachorras. Que elas estão ficando velhas e surdas. Não sei se mais surdas ou se mais velhas. E que as vezes eu choro, sozinha, do nada, assim. Quando penso que uma delas vai morrer. Eu nunca soube muito bem lidar com essa coisa de que tudo morre. Bom, pelo menos as coisas vivas. As vezes as não vivas também morrem. Tem gente que nem nasce, mas crece. E morre. Eu queria também falar do meu namorado. Do meu princípe. Do meu amor. Queria falar também que eu não consigo mais escrever absolutamente nada que tenha sentido. Nem se eu tentar falar sobre a Corruptolândia que é nosso Brasil varonil. Viram o caso do prefeito de Monte Alegre? Pois é. Tem também a hipocrisia hedionda das pseudo pessoas civilizadas que vivem aqui, ali e acolá. E as pessoas pseudo civilizadas (e olha que nem sei se ter civilidade é tão bom assim) estão inundando o mundo. Agora usar mini saia em faculdade virou sinônimo de puta! Ah...as patricinhas drogadas que bebem e cheiram e trepam com tudo nas raves (e fora delas também) é que disseram... Eu queria muito falar alguma coisa. Sério.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eu devia ter feito Medicina:
Até os 12 é virose.
Dos 12 pra cima é stress.
Mole não?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

sábado, 19 de setembro de 2009

Eu tenho duas casas.
Eu tenho dois empregos.
Eu tenho duas cachorras (idosas).
Não dá pra atualizar com a frequência que meus milhares de leitores gostariam.
É pena.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

chove chuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuva
chove sem paraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar
thu ru ru ru
chove chuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuva chove sem paraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar thu ru ru ru

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As vezes não dói.

Já escrevi e apaguei o texto algumas vezes.
Pensei em ligar o som mas mamãe dorme.
Acho que sem música eu não tenho inspiração.
*** Nem pra dizer que tem coisa que não dói. Que devia doer, que eu queria que doesse, que talvez a psicologia sociopata dos normais diga que é alguma espécie de "transmutação da dor" pra não sentir. (Pensamento idiota I:Já reparou que sempre que se diz que não tá doendo, vem algum babaca e fala que tá, mas que você não sabe lidar e prefere fingir?)Mas não. Não dói. Simplesmente não dói. E devia. Devia doer pra cacete. Eu devia chorar, gritar, espernear, me atirar da ponte ou tomar meia caixa de lexotan. Mas não dói. E então eu não faço nada disso. Mas devia. Ah devia. Na verdade mesmo, já doeu tanto, tanto, tanto que não tinha mais o que levar de mim. Agora só ficou aquele vazio que infelizsmente não é mais dor. É só ausência de qualquer coisa que devia existir ali. E não existe. A dor quando deixa de ser dor vira só vazio. O que é uma grande merda. Vazio não incomoda, não arde. Então você não faz nada.Mas devia. Ah devia. Se você me perguntar quantos irmãos eu tenho? Apenas um. As outras duas foram rebaixadas. Talvez sejam primas. E só. ***
Não tem mais no fundo, no fundo, no fundo do fundo.
Já faz tempo que eu não acredito em papai noel.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

É tanta gente desiquilibrada falando em equilíbrio que tenho me sentido num circo.
Daqueles bem grandes e cheio de gente e sem palhaço e pelo qual eu não peguei meia entrada.

sábado, 22 de agosto de 2009

Fofocas da semana.

Hoje, após oito meses de motoca, eu aprendi usar o cavalete (aquela peça que ergue a moto toda e deixa certinha quando a gente pára em algum lugar).
Tô mais feliz que pinto no lixo.
***
Grudes tem agora uma telona no quarto dele, pra mó di nóis vê filme no computador.
Adios mundo.
***
Eu ando mais antisocial do que de costume. Fato público e notório.
***
Meu blog está as traças. Fato público e notório também.
***
Estou indo pro livro laranja no inglês. Não sei exatamente o que isso significa, a não ser um carnê novinho, com seis boletos pra pagar.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O aniversário da nega.

domingo, 16 de agosto de 2009

Afins

As relações ficaram ( e estão) vazias.
As pessoas já nem sabem mais pra onde vão, o que querem.
Esperam.
Alguém que descubra qualquer coisa e conte.
E nessa espera eterna e sem fim e angustiante elas contagiam o mundo.
Que passa a acreditar que não saber de coisa nenhuma é comum, normal, quase blassé.
Menos a nós.
Gente feliz, bem resolvida, com todo amor do mundo.
Né não?
*
Tem coisa mais legal que praia com sol e grude e cabelos ao vento na motoca? (Grude= o namorado da Samantha)
**
Esse mês minha cachorra mais nova faz 11 anos. Eu que já tenho conta no Pet (sério!) começo a pensar que logo mais farei malabares no sinal pra pagar as despesas das crias. Tá flórida.
***

domingo, 9 de agosto de 2009

Vizinha: Tu leva minha moto na Concessionária pra mim, na quinta? Tenho que entrar cedo na clínica.
Samantha: Que moto é a tua?
Vizinha: Um CG150, por que?
Samantha: Ah...não vai dar não.
Vizinha: (cara de interrogação)
Samantha: É que eu não sei dirigir moto com marcha.
Vizinha: Que auto-escola tu tirou a carta pra dirigir numa moto sem marcha? (risada)
Samantha: Na verdade eu não tirei.
Vizinha: Ah tá. (cara de pânico)
Será que a cara de medo é por que um dia ela já me emprestou a moto antiga dela?

Pode ficar com a vaga magrela!!!!

Dia desses estou euzinha procurando uma vaga pra estacionar minha motoca nesse mundão de meu Deus, quando uma cidadã muito da sem educação resolveu colocar o carro popular (mas sedan) dela na minha rélis vaguinha.
Pois é. Deixei quieto não e fiquei no meio do caminho. Eu e minha motoca, atravancando o caminho da tia. Folgada para caralho, ela desde do carro, na maior cara de pau e diz:
"Minha filha, essa tua moto cabe em qualquer vaga, anda logo que eu tô atrasada"
Ignorei. Sou fina, não ia fazer barraco ao lado do Fórum né?
Não contente, ela que já tinha voltado pro carro, desce de novo e pergunta qual o meu problema.
Pensei em ignorar de novo, mas acabei optando apenas por um "você".
A jovem senhora ficou ensandecida e saio cantando pneu, não sem antes me chamar de sua magrela folgada, enfia ela no piiiiiiiiiiiiiiiiiii"
Fiquei tão feliz, mas tão feliz, mas tãããããão feliz que acabei deixando a vaga antes de ela tirar o carro popular sedan de lá.
Sério. Eu que sempre fui chamada de gordinha, ser chamada de magrela é um puta elogio.
Ela não deve ter entendido nada e se tiver um blog é bem provável que me chame de maluca por lá, but, só quem foi escolhida por último no futebol por anos pode entender minha felicidade.
é isso.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Às vezes a raiva é tanta tanta tanta que ela vira pena.
Foi minha mãe que disse , assim num dia, quando perguntei como ela conseguia tratar meu pai tão bem (depois da separação mexicana, claro).
Na época, eu uma rélis pirralha, não entendi.
Hoje, ainda pirralha mas não tanto, consigo ver a sabedoria de D. Rosana.
Senti tanta tanta tanta raiva de alguém que virou pena. E nada mais me aborrece. Acho que o ser humano é meio assim. A gente tranforma o sentimento pra continuar vivendo. Quanta gente não teve que desamar, colocando o príncipe encantado na galeria dos amigos, simplesmente por que o cidadão não queria mais? Quantas vezes a gente ignora, por que tá cansado de gritar? Ou então grita e grita e grita, por que o silêncio já não funciona?
Pois é.
Mamãe tinha razão em dizer que raiva pode virar pena.
Vovó também tinha, quando dizia que pena é a pior coisa que alguém pode sentir por nós.
E é só o que eu consigo sentir hoje.
Pena.
Talvez todas as penas de um avestruz sem cor gigante.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Alguém pra te achar linda.

Ele me acha linda quando chego molhada de chuva.
Ele me acha linda quando acordo com cara de sono.
Ele me acha linda suada depois de correr na praia.
Ele me acha linda quando luto com o sono pra ver o final do filme.
Ele me acha linda quando derrubo alguma coisa. (E eu sempre derrubo alguma coisa.)
Ele me acha linda no sol, assim, de manhãzinha.
Ele me acha linda.
E só.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Minha mãe alcoolatra e eu- Parte 365

Esse post se deve ao milagre inexplicável (pelo menos pra mim) da proliferação virtual.
Escrevi sobre o problema de mamãe e o alcoolismo em setembro de 2008 aqui nesse esquecido blog que vos fala e até hoje recebo comentários mesmo estando ele às traças diga-se de passagem.
É estranho não só pelo post velho, mas por serem pessoas que não conheço.
Será que só eu não leio posts velhos de desconhecidos? No máximo dou uma xeretada báááááásica no que tiver na tela e olhe lá. Tenho preguiça de quase tudo quase sempre.
Enfim, vim dizer que mamãe e eu estamos ótimas.
Ela continua bebendo, e talvez continue enquanto a cirrose e a diabetes mellitus permitirem. As pernas e a visão também não andam lá essas coisas.
Mas agora trabalha, tem o dinheirinho dela, não precisa de mim financeiramente pra nada.
Dia desses me contou que se inscreveu num projeto de casa própria da caixa, regularizou o CPF e o nome só tá sujo por causa de uma máquina de lavar que eu comprei e pretendo pagar em breve. (É irmãos, a crise pegou todo mundo).
É díficil aprender a lidar com problemas depois dos 40. Ela bebeu demais a vida inteira. Não precisou enfrentar nada. Agora, embora beba, já se permite sentir. Resolver problemas, passar por contratempos, essas coisas de gente manja?
E eu? Eu tô feliz. Vivendo a minha vida. Enfim aprendi separar as coisas. Não me culpo mais pelos problemas dela desde o fatídico episódio da clínica do Guarujá, que renderia uns 10 posts se eu fosse contar. (mamãe fugiu de uma clínica ano passado)
Faço minha parte. Visito, abraço, beijo, ligo, digo que tô com saudades.
Tento colocar no plano de saúde, dou consulta jurídica pelo telefone pra parentes e agregados.
Não mais que isso.
Às vezes as pessoas me perguntam:
Você não tem medo de ela tentar se matar de novo?
Tenho
E não faz nada?
Não. É opção dela.
Eu cuido da minha e ela cuida dela. É assim que tem ser.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

E a crise no Senado...

Por Nelson Motta,
"Diante da certeza de que eles vencerão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e corruptos, e até mesmo respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus figurinos grotescos, seus cabelos tingidos, suas caras botocadas. Para que suas esposas e amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio. Como nós nos envergonhamos todo dia."

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O blog está as traças por que o coração está em festa.
Antes era o contrário.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A única coisa decente que li sobre ele. ****
O maior passo da humanidade. De Xico Sá. Nascimento do Passo, gênio das 70 e tantas mungangas do frevo, que me desculpe; os velhos e bons b-boys, idem ibidem; os mestre dos baques solto e virado que me perdoem; Elvis, pomba-gira da pele branca, negocie; Fred Astaire, qualé, não se revire no desenho pontilhado dos seus respeitáveis sete palmos; funkadeliks forever, Chicago e Belém com as suas aparelhagens, samba, samba, samba, candomblé, os deuses que dançam, a todos o meu respeito e o sangue sem mertiolate dos meus joelhos... Mas, na boa, o maior passo da humanidade se deu quando o primeiro negro pisou na lua: salve Michael Jackson, um, dois, espírito a três passos do chão, me encoxe, wanna take you on a moonwalk... Ele vai pagar a vida inteira por ter sido maior que Armstrong e sua gangue, por ter fincado a bandeira da sua tara acima de todos os musicais de todas as tendências... Wanna take you on a magic carpet ride… Salve os bois bumbás, os tchans, o samba duro, as lias de itamaracás, a ciência sob o calçamento do mangue, a fulerage, a macumba da japonega, mas, peraí, ninguém levitou tão bonito quanto esse rapaz! Forever my love, you'll be mine. A lua, esse conhaque, o passo da humanidade, comovido com alma perra e carapuça de jabá-pop à vera. Eu sei, ele perdeu o nariz original como o carinha do barbeiro de Gogol, mas pouco importa, nao o diminui como o primeiro negro a pisar a areia movediça da lua. A América nunca vai perdoar o seu primeiro negro mais leve que as folhas das folhas da relva, coitada d´América... Ninguém, nem o mais mungangueiro dos artistas populares, nem os comedores de vidros, ninguém sob a lona do nosso Soleil, ninguém no farol, ninguém no sinal... Nunca houve um passo tão lindo, ajoelhe e reze sr. Balé clássico, bata palmas, morra de inveja, gaste a arrogância das sapatilhas... Nunca houve um passo como moonwalk, nunca houve mais linda invasão à lua dos doidos varridos, Michael Jackson nunca caiu nesse agá minúsculo, pra enganar moça, ora direis, de pisar nos astros distraído. Ele andou palmos acima, seu mar vermelho, tábuas sagradas, Moisés da hora, por entre as nuvens do auto-engano, por entre os dez mandamentos, a terra é azul.... e ele, marcha à ré, se move. Estátua! Stop. Parou ele ou parou o pop? Xico Sá é cronista do Blônicas

quinta-feira, 2 de julho de 2009

- A minha vida é um livro aberto.
-Mentira.
-É sim.
-É nada.
-É sim, tô falando.
-Então tá, mas só se for um livro aberto com um monte de página arrancada.
- (...)

sábado, 27 de junho de 2009

Doce. Musicalmente doce. Não vou falar sobre o filme, a fotografia, a musicalidade e todo aquele bla bla bla. Isso é coisa de gente chata. Mais. É coisa de gente chata e que se acha super entendida de filmes alternativos. Quer combinação pior?
O filme é fantástico. Ponto.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

cansada de gente chata.

terça-feira, 16 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Alguém me ensina a botar vídeo aqui no blog? pelo amorrrrrrrrrrrrrrrrrrrr de Deus!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

É meu, tudo meu.

Dia desses alguém me perguntou de onde vinha tanta calma.
Acho que do "meu".
Eu moro na minha casa. E minha casa não é casa da minha mãe, do meu pai, de algum parente, agregado, sei lá. Não. A casa é minha. Minha casa entende? As contas dela, todas elas, também são minhas. Pode parecer piegas mas essa coisa de ninguém poder jogar na sua cara sua dependência financeira (ou você mesmo ter essa sensação) me dá calma. Mais piegas ainda se eu disser que eu queria ter uma casa pra poder dormir pelada, ouvir Zé ramalho as sete da matina no sábado enquanto eu lavo o banheiro ou então não limpar o fogão quando eu derramo o leite. É piegas pra cacete mas é verdade. Isso me dá calma. Toda calma do universo.
E aí também tem minha motoca. Vendi meu carro, passei uns três anos de bus, but, estamos aí, de motoca. E ela é minha, só minha. Sou eu que pago aquele carnezinho enooooooooooorme todo dia 10. Sou eu também quem não pagou o IPVA e vai jogá-lo pra setembro (data de licenciamento, aha! aprendi até a calcular a data de licenciar pela placa pode?) por que não tem dinheiro. Sou eu também que não tem carta de moto, AINDA. Isso me dá calma. Toda calma do universo. Eu faço o que bem entendo da minha moto, sem precisar pedir, implorar ou mendigar uma carona pra são ninguém. Entende?
E então tem todas as contas. Tem o inglês, o boxe, a luz, o telefone, a internet, o cartão de crédito (que eu tento não usar), os livros que eu comprei, a C&A, a Renner, a pós que eu não tô pagando. Todas elas. Todas minhas. Só minhas. Só problema meu. Se eu pago uma, duas, nenhuma, todas. Se eu jogo uma de cá, outra de lá, encaixo no mês que vem, tiro ...Isso me dá calma. Não ter ninguém para pagar as minhas contas me deixa feliz. É uma maneira de ser forte, de continuar. Sempre.
É isso.
É isso tudo e mais algumas coisas que eu acho que me dá calma.
Toda calma do universo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Mulheres são só mulheres.

Cada dia mais eu tenho a sensação de que me tornei uma super mulher.
Incrível não?
Um dia eu vou aderir ao twitter dada a impossibilidade quase que permanente em escrever um texto decente nesse blog.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Todo mundo normal que eu conheço anda tomando antidepressivo e indo (regularmente) ao psiquiatra.
Eu não.
Será que enlouqueci?
Mas eu tô tão feliz, mas tão feliz, mas tão feliz que nem sei sobre o que escrever.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Acho que devemos fazer coisa proibida - senão sufocamos. Mas sem sentimento de culpa e sim como aviso de que somos livres. Clarice Lispector.
A coisa mais proibida que tenho feito é tomar danone escondido da minha cachorra. Pois é, ela adora danone.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Cotidiano.

Cena 1:
A mocinha recebe uma ligação, por volta do meio-dia, sexta-feira: - Vamo almoçar? - Vamo! - Tu paga! - Eu não, eu sou pobre, tu que paga. - Porra, nunca vi uma advogada tão fudida... -Nem eu. ****
Cena 2:
A mocinha passeia na rua com a cachorra, após um longo dia de trabalho e inglês e boxe e todas as coisas do mundo (por volta das 23:30h) -Posso te conhecer*? -Não -Por que? -Por que eu não tô afim. -Ah tá. * Frase dita por um desconhecido na esquina da casa da mocinha.
...e um suco de laranja, sem açúcar, com gelo separado por favor. Pequenas coisas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Todo meu polissindeto pra ti.

E eu olho pra você e vejo que todo mundo te acha lindo. Até a irmã da minha cunhada, uma criatura fantástica por sinal, te acha lindo. Tenho que casar com você. E eu vejo as pessoas sempre me dizendo pra te segurar. Mas eu não sei o que se faz pra segurar alguém. E então eu continuo sendo só eu, cheia de defeitos e coisas e todas besteiras inerentes aos que tem menos de trinta. E você me acha incrível. Gosta do jeito que eu falo com o porteiro, da tua mulherzinha, quase pós graduada. Tudo é engraçado, é doce, é delicado. Até a minha intempestividade pra ti é calma. Acho que a única pessoa que me acha calma no mundo é você. Nem minha mãe seria capaz de tamanha generosidade, ainda que disso dependesse um prêmio rídiculo de algum programeco vespertino. E eu continuo ali te achando um príncipe, daqueles de contos de fadas. Nada mais é inacabado, imperfeito, estragado. Não procuro mais a erosão. Só a calma dos que amam. E amam e amam e amam mais. E é tanto amor que parece que não cabe em mim. E não cabe. E aí eu divido com você.
Fantasmas sempre volta. Doces. Absurdamente doces. Naquele dia eu prometi que não tomaria banho antes, que não me importaria com a minha sombrancelha, que a falta de tempo não me deixa fazer. Também não tem problema se minha unha não está com aquele tom de vinho que ele gosta. Não faz diferença se a calcinha combina com o sutiã ou se minha blusa tá meio molhada, deixando claro que fui ouvir toda aquela vida que ele tinha pra dizer depois do boxe, apenas encaixando na minha santa rotina. O que pra ele era muito mais que aquilo, pra mim era só aquilo e aquilo mesmo. Não dessa vez baby. Não dessa vez. Não paro mais meu mundo por você. Fui descabelada, unha e sombrancelha por fazer. Roupa de academia, sem graça. Mochila. Não havia como caracterizar mais o meu desleixo. Tava ótimo. Sentei e ouvi. Ouvi e ouvi mais. Tudo que ele queria dizer, todo o amor do mundo que ele queria me dar. Ouvi o pedido de desculpas, que antes tão esperado, agora não passava de um pedido de desculpas de alguém que me esbarrou no metrô. Ouvi dos medos, dos sonhos, ouvi a promessa de casamento, pasme, no dia seguinte. Ouvi e ouvi e ouvi. E pra alcançar tanta maravilha, basta largar meu namorado. Simples assim não? Pois é. Mas AGORAnão dói mais. Aquelas noites em que eu não dormi, por que Lenine cantava no meu ouvido, mesmo sem som algum, agora são tuas. São só tuas. Divirta-se.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Tento compor o nosso amor
Dentro da tua ausência
Toda a loucura, todo o martírio
De uma paixão imensa
Teu toca-discos, nosso retrato
Um tempo descuidado
Tudo pisado, tudo partido
Tudo no chão jogado
E em cada canto
Teu desencanto
Tua melancolia
Teu triste vulto desesperado
Ante o que eu te dizia
E logo o espanto e logo o insulto
O amor dilacerado
E logo o pranto ante a agonia
Do fato consumado
Silenciosa
Ficou a rosa
No chão despetalada
Que eu com meus dedos tentei a medo
Reconstruir do nada:
O teu perfume, teus doces pêlos
A tua pele amada
Tudo desfeito, tudo perdido
A rosa desfolhada
(Vinícius de Moraes)

domingo, 26 de abril de 2009

Eu moro em bairro de rico.
Tenho cachorro de rico.
Até cara de madame eu tenho.
Não é incrível eu não ter dinheiro?

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Se a moda pega...

Um estranho caso de assalto e violência sexual envolvendo um criminoso e uma cabeleireira está mobilizando a polícia russa. Segundo o site "Life.ru", uma cabeleireira de 28 anos identificada como Olga teve o salão invadido por um assaltante na terça-feira (14). Ela, que é treinada em artes marciais, conseguiu render o homem de 32 anos, identificado como Viktor, e levou-o para uma sala reservada. Olga teria usado um secador de cabelo para render o assaltante, e acabou prendendo-o, mas não chamou a polícia. Ela teria obrigado o criminoso a tomar o estimulante sexual Viagra, para depois abusar dele por diversas vezes, durante os dois dias seguintes. Depois de ser libertado, Viktor foi ao hospital para curar seu órgão sexual "contundido", e depois registrou queixa contra Olga. No dia seguinte, foi a vez de Olga registrar queixa contra Viktor por assalto. A história fica ainda mais confusa, segundo o "Life.ru", porque a polícia não tem certeza de quem é o verdadeiro criminoso nesse caso de assalto que terminou em atentado ao pudor.
Fonte: G1 Notícias.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Hoje venho publicamente admitir que leio Tati Bernardi.
Bom, é preciso me concentrar em alguém que se acha mais que eu e no entanto é tão fudida (ou mais) quanto.
é isso.
Tati Bernardi é uma escritora de araque do Blônicas.

Esquisitisse.

Eu sou uma pessoa esquisita. Aliás, nem sei se sou tão esquisita assim, mas como cresci ouvindo isso, achei por bem acreditar.
Eu falo sozinha, tudo bem. Mas o Jô tbm fala e fala tanto que até conversa consigo mesmo em seis idiomas. Não pode ser tão ruim assim falar sozinha.essa coisa de auto-comunicação.
Bom, eu tbm gosto de tomar banho no escuro. Que é que se pode fazer? Eu gosto oras. Mas isso também não pode ser tão ruim assim se eu pensar no planeta e na economia de energia, fonte não-renovável indefinidamente. Vamos dizer que tomar banho no escuro é garantir chuveiro quente pros meus netos aham?
Eu tbm minto a minha idade. Minto sobre meu nome e até sobre a minha profissão. Sério. Desconhecidos chatos são as vítimas preferidas. Dia desses o sujeito encarnou em mim no mercado. Bingo! Falei pra ele que meu nome era Veruska, que eu tinha nacionalidade russa. Falei ainda que trabalhava como aeromoça, que viajava muito, por isso não poderia marcar nada com ele. Disse que não usava telefone celular nem fixo, pois uma vez tomei um choque em um posto de gasolina e fiquei com trauma. Sobre computador e msn falei algo sobre teoria da conspiração, afinal, eu era russa e todos os russos são estranhos mesmo. O problema é que o infeliz falava minha língua nativa (pode?) e começou a recitar poesias num parco e lamentável russo, que faria qualquer Dimestróviski sair correndo.
Me limitei a sorrir e fui embora, pensando em quem era mais maluco.
Até hoje não sei dizer qual a conclusão.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Era o mesmo cheiro.
E eu lembrei que não gostava do teu beijo com gosto de cigarro.
Nem do sexo com você.
Eu pulava, pulava, pulava e você sempre gozava, gozava, gozava. (antes da hora.)
É, acho que eu queria muito te dizer que você trepa mal pra caralho. Aliás, queria anunciar no orkut que eu não tenho. Botar teu nome e sobrenome. Mas eu sou fina. Mulheres finas não fazem isso. Só pensam e botam no blog essa merda toda, numa segunda cheia de trabalho e eventos e boxe e reuniões chatas e sorrisos amarelos e bunda dura e a minha falta de sono.
Lembrei das desculpas ridículas pra não sair no domingo.
Lembrei do quanto eu te odiava aos domingos. Você e aquele escondidinho ridículo pra me comprar. E comprova mesmo. Merda, me vendi por dois anos e meio pra um escondidinho. Puta que pariu, eu valho um punhado de carne seca com mandioca e requeijão barato.
Eu vi tua mensagem, teu desespero.
Eu ri sozinha.
E ainda tô rindo.
E indo dormir.
Mesmo sem sono.
Por que você não vale mais que um texto insone.

domingo, 12 de abril de 2009

É...Agora só vem mesmo o moço do carro vermelho né?
É João, só ele.
Antes tinha o do carro preto, que vinha sempre. E o do prata. Os dois prata né?
Agora não tem mais João...
É, eu sei, ce sabe como é porteiro né? A gente nem qué vê sabe? Mais aí tá aqui, tem que abrir o portão, vê mesmo, ce sabe...
Sei, claro.
Mas ó, queria dizer que a sra. tá mais bonita. Tá mais magra, a pele, o cabelo, com todo o respeito sabe? Que eu tenho idade pra ser seu pai e até tenho uma filha da idade da sra., mas a sra. tá mais bonita.
Obrigada João. Você acha que tudo isso é por causa do moço do carro vermelho?
Não, não é por causa daqueles carros que não vem mais.
Sem dúvida, a coisa mais inteligente que ouvi nos últimos tempos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Moço, eu nasci em Outubro!

"Puta que pariu. Eu devo ter ficado louca. Isso um dia ia acontecer. É praga da minha irmã, só pode. Meu Deus, eu fiquei louca. Louca, louca, louca, pinel mesmo." (pensei nisso por uns 20 minutos, ININTERRUPTOS)
***
Era só o que eu conseguia pensar.
Cára (o texto é meu, portanto acentuo onde eu quiser e foda-se a porra da mudança gramatical de merda. Só com o acento dá pra sonorizar a minha indignação), não só erraram minha data de nascimento (sim, a data de nascimento, você não leu errado não) como ainda querem me convencer que nasci em Dezembro! Se não fosse eu mesma lá, jamais acreditaria no que se sucedeu.
Pois bem.
Dirijo-me ao Poupatempo. Fica do ladinho do escritório, até posso ver o dito-cujo da janela.
Todo mundo fala que é um belezura e por que é que comigo não havia de ser? Hein?
Prometi que dessa vez não iria falar mal do sistema, praguejar a democracia, a república (ambas com letras minúsculas, claro), nem dizer em alto e bom tom que odeio tudo que seja oriundo do funcionalismo público, corrompido pela burocracia famigerada dos pseudo-burgueses.
Jurei e tava jurado.
Fui lá, levei os documentos, peguei a fila, tirei foto, deixei moça lambuzar todos os meus dedos. Feliz da vida. Sim.
Jurei e tava jurado.
Fizeram perguntas, respondi. Mesmo as idiotas, frise-se, sem objeção.
Não questionei o sistema de senhas, nesni tendo certeza que ele chamou um monte de gente na minha frente.
Não, não fiz nada disso. Jurei e tava jurado.
Na retirada do RG, notei que a data de nascimento (!!!) estava errada. No stress. Acontece. É muito trabalho, pouca gente. Vamos lá Samantha, concentra, não fala mal. Isso Samantha, sorria, fala pra moça, delicada, que a data de nascimento da errada. Isso, vai lá. É, elogia o cabelo loiro dela, é, finge que não viu a raiz preta.
***
Mas é claro que não poderia ser tão simples assim. A cidadã exigia minha certidão de nascimento (ORIGINAL), muito embora eu tivesse entregue a cópia e mostrado a original, tudo de acordo com os documentos exigidos, para obter apenas e tão somente meu sagrado direito a ser identificada. Mas ela queria de novo, queria por querer. Pedi pra falar com o superior dela. Com cara de nojo e aquele cabelo meio preto e meio loiro (com uma borboleta brilhante- Como confiar em alguém que usa aquilo depois dos 12?) ela me pediu "um minutinho".
(começo a ficar irritada)
Vinte minutos depois o (in)responsável veio conversar comigo.
Começo todo o discurso de novo, informando que meu RG estava com a data de nascimento errada, que eu tinha em mãos a CNH e a carteira da OAB, ambas originais, e com foto e comprovando quando eu nasci e tudo o mais.
Sem sucesso. Dessa vez, a afirmação era mais contundente, e na certeza do pobre Reinaldo (nome do moço) me faria ir embora, levar a droga do meu problema pra outro órgão público, claro.
****
-Olha moça, a senhora nasceu mesmo no dia 04/12.
-Aham?
-É pois, é, ligamos no cartório e o escrevente informou que a certidão foi expedida com erro. Que no livro (um tal livro grande de onde saem as certidões de nascimento), consta dia 04/12 e não 04/10...
-Então o Sr. estaá discutindo comigo minha data de aniversário? É isso? O sr. acha que eu não sei quando eu nasci? (quase gritando)
Senhora, houve um equívoco, seu nascimento é 04/12.
-Tem 23 anos que faço aniversário todo dia 04/10, mesmo meu pai me ligando pra dar parabens do dia 05 ou no dia 03. Eu sempre faço dia 04. Meu RG antigo tá com essa data, minha certidão tbm, a CNH, a OAB, todos meus registros médicos, carteiras de bibliotecas e cadastros de sites ridículos que eu acho que me enviarão algum news-letter bacana, mas que só me enviaram bobagens até hj e não consigo excluir no 'clique aqui caso não queira mais receber esse e-mail". Moço, presta bem atenção no que o sr. tá dizendo. O sr. tá contrariando a minha mãe! (o Poupatempo inteiro olha, já estou aos berros e em prantos- Eu choro mesmo quanto tô puta)
-Infelizmente....
-Faz o seguinte? Liga pra minha mãe, se ela concordar que eu nasci dia 04/12 eu topo. Juro. Aceito e mudo tudo pra essa data. Pago taxas administrativas, tiro mais fotos, pego fila, deixo sujarem meu dedo, minha alma, tudo. Mas minha mãe tem que aceitar. E é o sr que vai convencer Tá feito.
(continua)
...e eu juro pelas minhas cachorras que tudo isso,c ada palavrinha foi dita hj, pro sr. Reinaldo, responsável pelo setor de identificação civil do Poupatempo/Santos-SP.

sábado, 4 de abril de 2009

Eu gostaria muito que a minha criatividade voltasse. Juro.